terça-feira, 8 de junho de 2010

01.02.2010

Improviso para folgar as costas a Fernando Pessoa e a Cesário Verde...

Este poema não tem
primeira pedra para inaugurar
senhor primeiro-ministro
é uma imaterialidade monumental
não tem orçamento
nem plano de estabilidade e crescimento
e mais-valias não cobra
nem para distrair o défice
este poema digamos assim
é da oposição
mas diga-o se quiser
senhor primeiro-ministro
numa próxima inauguração.

Ademar
01.02.2010

Improvisación para aliviar la espalda a Fernando Pessoa y a Cesário Verde...

Este poema no tiene
primera piedra que inaugurar
señor primer ministro
es una inmaterialidad monumental
no tiene presupuesto
ni plan de estabilidad y crecimiento
y plusvalías no cobra
ni para despistar el déficit
este poema digámoslo así
es de la oposiçión
pero recítelo si quiere
señor primer ministro
en una próxima inauguración.

31.01.2010

Improviso para traduzir, em linguagem que todos entendam, Tantum Ergo...

Dizes que falo sozinho
não é verdade
falo comigo
quando tu não estás
dizes que canto no banho
gregorianamente
não é verdade
nunca cantei
dizes que penso mil e uma mulheres
quando me distraio da eternidade
não é verdade
penso uma de cada vez
dizes que vivo
no conforto de um pacto com o diabo
não é verdade
o diabo sou eu.

Ademar
31.01.2010


Improvisación para traducir, a lenguaje que todos entiendan, Tantum Ergo...

Dices que hablo solo
no es verdad
hablo conmigo
cuando tú no estás
dices que canto en el baño
gregorianamente
no es verdad
nunca he cantado
dices que pienso mil y una mujeres
cuando me distraigo de la eternidad
no es verdad
pienso una de cada vez
dices que vivo
al abrigo de un pacto con el diablo
no es verdad
el diablo soy yo.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

02.02.2010

Improviso em forma de tango...

Movimentam-se na tela
como num palco maravilhoso
que só as nuvens adivinhassem
caminham dançam esvoaçam
entram e saem da tela
como de uma imagem em que nunca coubessem
e escrevem em todas as línguas
no regresso de todas as viagens
as mulheres a que me abandono
têm uma tela dentro delas
e são ainda mais perfeitas
do que o mistério que as conduz.

Ademar
02.02.2010


Improvisación en forma de tango...

Se mueven por el lienzo
como en un palco maravilloso
que sólo las nubes hubiesen adivinado
caminan bailan revolotean
entran y salen del lienzo
como de una imagen en la que nunca hubiesen cabido
y escriben en todas las lenguas
al regreso de todos los viajes
las mujeres a las que me abandono
tienen un lienzo dentro de ellas
y son aún más perfectas
que el misterio que las guía.

30.01.2010

Improviso citadino...

Um prestamista ambulante
quis hoje vender-me na rua dois pensamentos
a prestações
disse-lhe que já não estava comprador
porque não tinha onde guardar
hoje mais depressa me dou ou empresto
do que compro
tentei significar-lhe
numa linguagem talvez artesanal
que esgotei há muito
a capacidade pré-instalada de armazenamento
de destinos que não me pertencem
não sei se ele chegou a ouvir
a cidade inteira entretanto
saíra à rua para comprar.

Ademar
30.01.2010


Improvisación ciudadana...

Un prestamista ambulante
me quiso vender hoy en la calle dos pensamientos
a plazos
le dije que no estaba comprador
porque no tenía dónde guardar
hoy más rápido me doy o me presto
que compro
intenté hacerle entender
en un lenguaje tal vez artesanal
que agoté hace mucho
la capacidad preinstalada de almacenamiento
de destinos que no me conciernen
no sé si lo llegó a oír
la ciudad entera entre tanto
había salido a la calle a comprar.

29.01.2010

Improviso com uma nação de destinatários...

Sim a poesia destreina-se
como qualquer intimidade
e ainda ninguém inventou uma máquina
de fazer higienes
em vez de espanhóis
a literatura por vezes pendura-se
de uma frase
ou de uma luz
e retoma a infância
há quem escreva em minúsculas
simplesmente
para se engrandecer.

Ademar
29.01.2010


Improvisación como una nación de destinatarios...

Sí la poesia se desentrena
como cualquier intimidad
y todavía no ha inventado nadie una máquina
de hacer higienes
en vez de españoles
la literatura a vezes se suspende
de una frase
o de una luz
y retoma la infancia
hay quien escribe en minúsculas
simplemente
para engrandecerse.

28.01.2010

Improviso, mais um, para epígrafe...

Aprendi a cavar trincheiras
quando percebi que nenhum rebanho
se distinguia dos demais
e que o tropel falava todas as línguas
montado nas quatro patas traseiras
a minha guerra
não a perdi nem ganhei
na Piazza Loreto
mas nenhum rebanho sobrevoou
garanto-vos
as trincheiras que cavei.

Ademar
28.01.2010


Improvisación, otra más, para epígrafe...

Aprendí a cavar trincheras
cuando entendí que ningún rebaño
se distinguía de los otros
y que la turbamulta hablaba todas las lenguas
montada en las cuatro patas traseras
mi guerra
no la perdí ni la gané
en la Piazza Loreto
pero ningún rebaño sobrevoló
os lo aseguro
las trincheras que cavé.

27.01.2010

Improviso para talvez desamarrar...

À infância já não vou por preço algum
nem à borla
dizes
compra-me um carrossel
em que caibamos de pé ou de joelhos
como se tivéssemos voltado a andar
ou a rezar
à infância já não vou por preço algum
nem à borla
dizes
confia-te na mão esquerda
para que nela me suspenda
das nossas amarras.

Ademar

27.01.2010


Improvisación para tal vez desamarrar...

A la infancia ya no voy a ningún precio
ni gratis
dices
cómprame un carrusel
en el que quepamos de pie o de rodillas
como si hubiésemos vuelto a andar
o a rezar
a la infancia ya no voy a ningún precio
ni gratis
dices
confíate en la mano izquierda
para que en ella me cuelgue
de nuestras amarras.

domingo, 6 de junho de 2010

26.01.2010

Improviso para máquina de fazer gentios...

Hoje apetece-me
repetir aqui uma frase banal
tão banal como esta noite que me embrulhas
na palavra foder
uma frase escrita um milhão de vezes
em todas as línguas e dialectos
a vida é um carrossel digo
uma caixa de música a que nem precisamos
de dar corda para tocar na infância
uma montanha de sons e de silêncios
uma lembrança talvez da Suíça
e lágrimas ainda a descer pelos olhos.

Ademar
26.01.2010


Improvisación para máquina de hacer gentes...

Hoy me apetece
repetir aquí una frase banal
tan banal como esta noche en que me lías
con la palabra follar
una frase escrita un millón de veces
en todas las lenguas y dialectos
la vida es un carrusel digo
una caja de música a la que ni siquiera necesitamos
dar cuerda para tocar en la infancia
una montaña de sonidos y silencios
un recuerdo tal vez de Suiza
y lágrimas aún cayendo de los ojos.

25.01.2010

Improviso para iluminar o tempo interior...

Administro no silêncio
um tear de saudades
tudo o que me falta
transborda-me do pensamento
tenho remendos
no lugar do desejo
e da memória
uma porta para o futuro
sem fechadura nem chave
podeis vir quando quiserdes
sobro-me da agenda
para todos os reencontros.

Ademar
25.01.2010


Improvisación para iluminar el tiempo interior...

Administro en el silencio
un telar de añoranzas
todo lo que extraño
me desborda del pensamiento
tengo remiendos
en el lugar del deseo
y de la memoria
una puerta para el futuro
sin cerradura ni llave
podéis venir cuando queráis
prescindo de la agenda
para todos los reencuentros.

24.01.2010

Improviso para enganar as noites...

Uma fita vermelha entre as páginas
de uma vida remarcável
só depois do ofício da leitura
e o silêncio que espreita sempre por dentro
o rumor pleonástico das palavras
dizes
que tudo depois da poesia é uma merda
e eu assino por baixo
entre esse mesmo chão
e o tecto das estrelas.

Ademar
24.01.2010


Improvisación para engañar a las noches...
Una cinta roja entre las páginas
de una vida remarcable
solo después del oficio de la lectura
y el silencio que vigila siempre por dentro
el rumor pleonástico de las palabras
dices
que todo después de la poesía es una mierda
y yo lo subscribo
entre ese mismo suelo
y el techo de las estrellas.

23.01.2010

Improviso para dizer a primeira palavra...

As mãos que me toquem
não esperarão stradivarius
apenas teclas de um órgão antiquíssimo
talvez irrestaurável
que ainda respire e sorria.

Ademar
23.01.2010


Improvisación para decir la primera palabra...

Las manos que me toquen
no esperarán stradivarius
apenas teclas de un órgano antiquísimo
tal vez irrestaurable
que todavía respire e sonría.

22.01.2010

Improviso para legenda da procura...

Ocorre-me agora escrever
a urgência como medida introspectiva do tempo
não saberia dizê-lo noutra língua
nem de outra forma
antecipo pois os fotogramas da viagem
segredos e mistérios com toda a sabedoria dentro
e a incerteza do destino
de mais uma promessa por cumprir
redigo
a urgência como medida introspectiva do tempo.

Ademar
22.01.2010


Improvisación para rótulo de la búsqueda...

Se me ocurre ahora escribir
la urgencia como medida introspectiva del tiempo
no sabría decirlo en otra lengua
ni de otra forma
anticipo pues los fotogramas del viaje
secretos y misterios con toda la sabiduria dentro
y la incertidumbre del destino
de una promesa más por cumplir
redacto
la urgencia como medida introspectiva del tiempo.

21.01.2010

Improviso para tributo a João Guimarães Rosa...

Há quem escolha a terceira margem do rio
para não ter de voltar a nenhuma ou a si
e quem escolha as outras margens
todas as outras antes ou depois da terceira
para não ser água nem canoa nem corrente
os rios mais profundos são porém
os que não têm margens
na humanidade que os conduz.

Ademar
21.01.2010


Improvisación para tributo a João Guimarães Rosa...

Hay quien escoge la tercera orilla del río
para no tener que volver a ninguna ou a sí
y quien escoge las otras orillas
todas las otras antes o después de la tercera
para no ser agua ni canoa ni corriente
los ríos más profundos son no obstante
los que no tienen orillas
en la humanidad que los conduce.

sábado, 5 de junho de 2010

20.01.2010

Improviso para desprometer...

A memória sabes tem tantos filmes dentro
e tantas palavras e tantas partituras
bates à porta e tudo parece antigo nos gestos
foi sempre assim que tudo começou
desde que cegámos para a urgência do tempo
e nunca mais nos prometemos.

Ademar
20.01.2010


Improvisación para desprometer...

La memoria sabes tiene tantas películas dentro
y tantas palabras y tantas partituras
llamas a la puerta y todo parece antiguo en los gestos
fue siempre así como empezó todo
desde que nos cegamos para la urgencia del tiempo
y nunca más nos prometimos.

19.01.2010

Improviso quase geresiano...

Se eu te dissesse que a caminho da junceda
parava sempre entre as rochas a ouvir nessun dorma
e fitzcarraldo parecia ainda mais próximo das nuvens
quando na linha da erosão nem já os garranos
confundiam o trote entre caruso e pavarotti
como se tivessem crescido a servir-se da mão de puccini
e toda a poesia não fosse mais do que um chamamento
se eu te dissesse que fui o sol a caminho da junceda
e nunca os meus pés tropeçaram numa ponte suspensa
sobre o homem.

Ademar

19.01.2010


Improvisación casi geresiana...
Si te dijese que camino de a junceda
paraba siempre entre las rocas a oír nessun dorma
y fitzcarraldo parecía todavía más cerca de las nubes
cuando en la línea de la erosión ya ni los garranos
confundían el trote entre caruso y pavarotti
como si hubiesen crecido sirviéndose de la mano de puccini
y toda la poesía no fuese más que una llamada
si te dijese que fui el sol camino de a junceda
y nunca mis pies tropezaron en un puente colgante
sobre el hombre.

18.01.2010

Improviso para Sylvia...

Encontrei-a hoje por acaso
num bairro de sótãos desejantes
(o acaso é o nosso único destino)
vendia poemas com palavras dentro
e tocava bandoneon
pareceu-me Homenagem a Córdoba
mas não garanto
perguntei-lhe se era edição de autor
e foi então que ela me reconheceu
Astor Piazzolla
ninguém vende poemas assim na rua
onde todos passam.

Ademar
18.01.2010


Improvisación para Sylvia...

Me la encontré hoy por azar
en un barrio de áticos deseantes
(el azar es nuestro único destino)
vendía poemas com palabras dentro
y tocava el bandoneón
me pareció Homenaje a Córdoba
pero no lo garantizo
le pregunté si era edición de autor
y fue entonces cuando ella me reconoció
Astor Piazzolla
nadie vende poemas así en la calle
por donde todos pasan.

17.01.2010

Improviso atmosférico...

Não tenho corpo para te servir
à mesa das palavras
apenas memórias de gestos
que ainda poderiam tocar-te
numa península onde só coubéssemos nós
descontados de todas as sombras
há destinos excessivos
que nos atravessam nas âncoras
do tempo
e nos morrem nas mãos
como ondas imaginárias
não tenho corpo para te servir
à mesa das palavras
apenas essa ausência.

Ademar
17.01.2010


Improvisación atmosférica...

No tengo cuerpo para servirte
en la mesa de las palavras
apenas memorias de gestos
que aún podrían tocarte
en una península donde sólo cupiésemos nosotros
descontados de todas las sombras
hay destinos excesivos
que nos atraviesan en las anclas
del tempo
y se nos mueren en las manos
como olas imaginarias
no tengo cuerpo para servirte
en la mesa de las palabras
apenas esa ausencia.

16.01.2010

Improviso em forma de península...

Não memorizo o nome das ruas
ou das praças
não importa pois que tenhas lá estado
ou nunca
mas lembro-me dos grafitos
das pichagens
das pinturas murais
dos pedidos de silêncio
no bairro gótico
e das cervejas adormecidas
entre o Reno
e o Guadalquivir
não importa pois que tenhas lá estado
ou nunca
concedemo-nos a geometria do tempo
na certeza plural
de que só as palavras eternas
se chamam e se tocam.

Ademar
16.01.2010


Improvisación en forma de península...

No memorizo el nombre de las calles
o las prazas
no importa pues que hayas estado allí
o nunca
pero me acuerdo de los grafitis
de las pintadas
de las pinturas murales
de las peticiones de silencio
en el barrio gótico
y de las cervezas adormecidas
entre el Rin
e el Guadalquivir
no importa pues que hayas estado allí
o nunca
nos concedemos la geometría del tiempo
en la certeza plural
de que sólo las palabras eternas
se llaman y se tocan.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

15.01.2010

Improviso para longa-metragem...

O menino
também mata saudades
embora nunca fale
das saudades que mata
não abre a porta
nem fecha a porta
não diz olá
nem diz adeus
o filme é o pensamento
que nenhuma tela projecta
um dia virás
e o menino morreu
todos os filmes acabam assim
genericamente.

Ademar
15.01.2010

Improvisación para largometraje...

El niño
também mata nostalgias
aunque nunca hable
de las nostalgias que mata
no abre la puerta
ni cierra la puerta
no dice hola
ni dice adiós
la película es el pensamiento
que ningún lienzo proyecta
un día vendrás
y el niño habrá muerto
todas las películas acaban así
genericamente.

14.01.2010

Improviso para que ninguém entenda...

Hoje percebi
que não tenho mais lixo
para baladas
esgotei a reserva de marijuana.

Ademar
14.01.2010


Improvisación para que nadie entienda...

Hoy he comprendido
que no tengo más basura
para baladas
he agotado la reserva de marijuana.

13.01.2010

Improviso para dizer, discretamente, ao ouvido de um filho...

Para o Francisco, que hoje perfaz 17 anos...

Todas as pessoas
até os pais
são seres imaginários
ninguém fora de nós
faz inteiramente parte de nós
há muitas estranhezas
que cobramos ao pensamento
quando batemos à porta
de tudo o que está para além
do que podemos tocar
um dia perceberás que só a poesia diz
o que o olhar não fala.

Ademar
13.01.2010


Improvisación para decir, discretamente, al oído de un hijo...

Para Francisco, que hoy cumple 17 años...

Todas las personas
hasta los padres
son seres imaginarios
nadie ajeno a nosotros
forma por entero parte de nosotros
hay muchas extrañezas
que le cobramos al pensamiento
cuando llamamos a la puerta
de todo lo que está más allá
de lo que podemos tocar
un día entenderás que sólo la poesía dice
lo que la mirada no cuenta.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

12.01.2010

Improviso para explicar a poesia aos pássaros...

Apago sempre as estrelas
para escrever
tu sabes
o excesso de luz
distrai-me do tesão das palavras
o corpo quer-se
uma matéria delicada
um cheiro muito antigo
o mais próximo do berço
e nessa quase irrelevância
quando todos os outros cheiros da vida
se erguem da penumbra
é então
que os dedos da poesia nos agarram.

Ademar
12.01.2010


Improvisación para explicarles la poesía a los pájaros...

Apago siempre las estrellas
para escribir
ya sabes
el exceso de luz
me distrae de la potencia de las palabras
el cuerpo debe ser
una materia delicada
un olor muy antiguo
lo más próximo a la cuna
y en esa casi irrelevancia
cuando todos los otros olores de la vida
se levantan de la penumbra
es entonces
cuando los dedos de la poesía nos agarran.

11.01.2010

Improviso para desleixar grandiosidades...

Nunca pensei que soubesses
conjugar o verbo
amar
mesmo no particípio passado
ou numa versão pronominal
eu só conheço como sabes
a voz passiva
e tenho uma tendência empírica
para tropeçar nos tempos dos verbos
costumo dizer
por exemplo
que a poesia de Manoel de Barros
são conchas em vez de palavras
e não há luz que a penumbre
como se fosse ainda mais antiga
ou vegetal do que a via láctea
coisas assim
que nenhum nexo reconhece
e nenhum mestre aprovaria
lamento pois dizer-te
já não sou capaz de trocar Ravel
por Debussy
ou Treviso por Veneza
tenho fome de tudo
o que me alimenta.

Ademar
11.01.2010


Improvisación para desatender a grandiosidades...

Nunca pensé que supieses
conjugar el verbo
amar
ni siquiera en participio pasado
o en una versión pronominal
yo sólo conozco como sabes
la voz pasiva
y tengo una tendencia empírica
a tropezar en los tiempos de los verbos
suelo decir
por ejemplo
que la poesía de Manoel de Barros
son conchas en vez de palabras
y no hay luz que la ensombrezca
como si fuese todavía más antigua
o vegetal que la vía láctea
cosas así
que ningún nexo reconoce
y ningún maestro aprobaría
lamento pues decirte
ya no soy capaz de cambiar a Ravel
por Debussy
o Treviso por Venecia
tengo hambre de todo
lo que me alimenta.

10.01.2010

Improviso à volta de uma frase...

Uma frase mais
como uma fotografia a preto e branco
ou um telegrama dos antigos
contado letra a letra
stop
uma frase
tenho de escrever mais uma frase
e meter-te lá dentro
de preferência de pé ou de cócoras
stop
evidentemente
não posso deixar o espaço em branco
tu exiges pelo menos uma frase
uma fórmula
farei batota talvez
juntarei palavras
que ninguém entenda
stop
a falta que nesta hora me faz
o manual do avaliador
que não comprei.

Ademar
10.01.2010

Improvisación alrededor de una frase...

Una frase más
como una fotografía en blanco y negro
o un telegrama de los antiguos
contado letra a letra
stop
una frase
tengo que escribir una frase más
y meterte ahí dentro
de preferencia de pie o de cuclillas
stop
evidentemente
no puedo dejar el espacio en blanco
tú exiges por lo menos una frase
uma fórmula
haré trampa tal vez
uniré palabras
que nadie entienda
stop
la falta que en este momento me hace
el manual del evaluador
que no compré.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

09.01.2010

Improviso de género...

Talvez tenhas razão
talvez a loucura seja
como dizes
uma propriedade feminina
um excesso de luz
um encandeamento dos sentidos
deixas de ver
e enlouqueces
há mulheres
que se desintegram assim
numa espécie de névoa interior
como se
simplesmente
adormecessem por dentro.

Ademar
09.01.2010


Improvisación de género...

Tal vez tengas razón
tal vez la locura sea
como dices
una propiedad femenina
un exceso de luz
un encandilamiento de los sentidos
dejas de ver
y enloqueces
hay mujeres
que se desintegran así
en una especie de niebla interior
como si
simplemente
se adormeciesen por dentro.

08.01.2010

Improviso para saudar numa ca(u)sa um grande Amigo...

Para o Henrique Barreto Nunes

Deixa que nesta noite polar
a memória ocupe o pensamento todo
e não sobre lugar na mesa
para mais ninguém
foi aqui (lembras-te?)
que interrogámos o destino
e o ganhámos
talvez tudo o mais tenha sido em vão
menos aqui
nesta antiquíssima liberdade
que nenhuma ruína calou
nenhum esquecimento.

Ademar
08.01.2010


Improvisación para saludar en una ca(u)sa a un gran Amigo...

Para Henrique Barreto Nunes

Deja que en esta noche polar
la memoria ocupe todo el pensamiento
y no quede sitio en la mesa
para nadie más
fue aquí (¿te acuerdas?)
donde interrogamos al destino
y nos lo ganamos
tal vez todo lo demás haya sido en vano
menos aquí
en esta antiquísima libertad
que ninguna ruína ha callado
ningún olvido.

07.01.2010

Improviso para orquestra de cordas...

Deixa-me pelo menos coleccionar as mãos
nas tuas palavras
e que não me falhe um
de todos os dedos com que me abraças
que nenhuma intimidade
a poesia nos autorize
senão a intimidade das mãos
e de todos os seus dedos.

Ademar
07.01.2010


Improvisación para orquesta de cuerda...

Déjame por lo menos coleccionar las manos
en tus palabras
y que no me falle ni uno
de todos los dedos con que me abrazas
que ninguna intimidad
la poesía nos autorize
sino la intimidad de las manos
y de todos sus dedos.

06.01.2010

Improviso para servir ainda de lápide funerária...

A vida foi a minha criação
e até na morte assinei
com o corpo que me coube
a sabedoria não pede muitas palavras
senão exactamente as que lhe pertencem
nunca escrevas de mais
lembra-te sempre de que nenhum poema
esgota a poesia.

Ademar
06.01.2010


Improvisación para servir aún de lápida funeraria...


La vida ha sido mi creación
y hasta en la muerte he firmado
con el cuerpo que me tocó
la sabiduría no pide muchas palabras
sino exactamente las que le corresponden
nunca escribas de más
recuerda siempre que ningún poema
agota la poesía.

05.01.2010

Improviso para Arianna...

O sangue no lugar da água
em todas as fontes
e no corpo que te pertence
a harpa
se a dor tocasse assim a beleza dos homens
todos os homens seriam eternos.

Ademar
05.01.2010


Improvisación para Arianna...

La sangre en lugar del agua
en todas las fuentes
y en el cuerpo que te corresponde
el harpa
si el dolor tocase así la belleza de los hombres
todos los hombres serían eternos.

terça-feira, 1 de junho de 2010

04.01.2010

Improviso desconcertado...

Desconheço a arte de
abrir portas fechadas por
dentro
e o meu olhar não
cabe em todas as
fechaduras
tenho janelas nas
palavras
e só as abre quem acolhe o
vento.

Ademar
04.01.2010


Improvisación desconcertada...

Desconozco el arte de
abrir puertas cerradas por
dentro
y mi mirada no
cabe en todas las
cerraduras
tengo ventanas en las
palabras
y sólo las abre quien acoge al
viento.